© Ricardo Perna

Relação Educativa

Não obstante o papel primordial da relação entre pares como base da pedagogia educativa escutista, a presença do adulto – e, portanto, a relação educativa que se estabelece entre ele e a criança ou jovem – constitui elemento essencial do método escutista.

No Escutismo, o adulto é o garante da educação integral das crianças e jovens da sua Unidade, sendo a sua intervenção, por princípio, subsidiária; ou seja, a ação pedagógica – para além de voltada para a criança ou jovem – deve estar centrada na própria criança ou jovem, chamado a ser, pela vivência do jogo escutista, protagonista do seu auto-desenvolvimento.

O adulto, na medida da idade e maturidade dos jovens, é chamado a recuar na intervenção, competindo-lhe, no entanto, sempre assegurar a existência de um ambiente seguro e propício a uma aprendizagem do tipo aprender fazendo, bem como da conformidade da vida da Unidade com os ideais e valores com que o Escutismo se identifica e se propõe promover.

A finalidade do Escutismo é que a criança ou jovem se desenvolva em autonomia, logo o papel do adulto não pode ser senão o da promoção dessa autonomia, sendo que esta relação entre a autonomia da criança ou jovem e o envolvimento, ou a intervenção, do adulto deve perspetivar-se de uma forma dinâmica, progressivamente decrescente e qualitativamente diferenciada, ao longo do percurso educativo da criança ou jovem através das secções.

Dependendo da secção, há maior ou menor necessidade de “espaço”, mais ou menos graus de liberdade, formas diferentes de companheirismo e de partilha de cumplicidades. Mas em todas as secções é fundamental a permanência e a sensação de presença do adulto, que transmite segurança, que “está lá” sempre que for preciso e para o que for preciso, que está com as crianças ou jovens e com eles caminha nos bons [incentivando] e nos maus [orientando] momentos.

No Escutismo, cumpre ao adulto saber misturar-se com as crianças e os jovens, sem nunca se deixar confundir com os mesmos, equilíbrio que é a chave de ouro da relação educativa escutista entre as crianças e jovens e os adultos.

Por outro lado, ao adulto cumpre garantir que em todas as iniciativas e atividades são cumpridas as normas de segurança legais ou em vigor na Associação, bem como excluídos comportamentos e opções que acarretam riscos irrazoáveis e/ou não devidamente acautelados.

Em conclusão, o papel do adulto na relação educativa escutista é o de garante da presença e regular funcionamento dos demais elementos constituintes do método escutista, o garante de enquadramento e ambiente para o jogo escutista.

Ultima atualização 07.11.2016 Visualizações 6938
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