© Nuno Perestrelo

Método Escutista

Método Escutista

Em termos pedagógicos, o Corpo Nacional de Escutas organiza as crianças e jovens em quatro Secções de base etária, de acordo com a tabela abaixo.

Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações das Secções e dos elementos tomam a forma constante da tabela abaixo1 .

O método escutista, elemento pedagógico original e identitário do Escutismo, criado por Lord Baden-Powell of Gilwell, é um sistema de auto-educação progressiva, baseado em sete elementos igualmente relevantes, conforme a figura abaixo.

No Corpo Nacional de Escutas, o método escutista encontra-se estruturado da forma abaixo descrita, sendo realçadas, quando existam, as especificidades de cada Secção.


A Lei e a Promessa constituem o ideário fundacional e fundamental do Escutismo, agregando e apresentando os valores por este preconizados em toda a fraternidade mundial.

No Corpo Nacional de Escutas a Lei é:
1. A honra do Escuta inspira confiança.
2. O Escuta é leal.
3. O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa acção.
4. O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas.
5. O Escuta é delicado e respeitador.
6. O Escuta protege as plantas e os animais.
7. O Escuta é obediente.
8. O Escuta tem sempre boa disposição de espírito.
9. O Escuta é sóbrio, económico e respeitador do bem alheio.
10. O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas ações.

O método escutista, elemento pedagógico original e identitário do Escutismo, criado por Lord Baden-Powell of Gilwell, é um sistema de auto-educação progressiva, baseado em sete elementos igualmente relevantes, conforme a figura abaixo.

O Corpo Nacional de Escutas definiu ainda três Princípios:
1. O Escuta orgulha-se da sua Fé e por ela orienta toda a sua vida.
2. O Escuta é filho de Portugal e bom cidadão.
3. O dever do Escuta começa em casa.

Todos os membros do Corpo Nacional de Escutas, à luz dos princípios enunciados, aderem voluntariamente à Associação, no compromisso com a Lei, base de toda a ação escutista, pela Promessa, concebidas pelo Fundador do Movimento Escutista, nos termos seguintes.

Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
- cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
- auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
- obedecer à Lei do Escuta.

No caso da Alcateia, existem as seguintes especificidades:

Lei
1. O Lobito escuta «Àquêlà».
2. O Lobito não se escuta a si próprio.

Máximas
1. O Lobito pensa primeiro no seu semelhante.
2. O Lobito sabe ver e ouvir.
3. O Lobito é asseado.
4. O Lobito é verdadeiro.
5. O Lobito é alegre.

Promessa
Prometo, da melhor vontade:
- ser amigo de Jesus, amando os outros;
- respeitar a Lei da Alcateia;
- praticar diariamente uma boa-ação.

A vivência escutista, independentemente do escalão etário, baseia-se sempre num ambiente simbólico forte que lhe dá enquadramento, coerência e consistência. Cada Secção possui e vive um imaginário próprio, isto é um ambiente que a envolve e que se traduz por um espírito e uma linguagem próprios, uma história com heróis e símbolos, induzindo a um sentimento de pertença em relação ao grupo e permitindo a transmissão de determinados valores:

• O Livro da Selva, escrito por Rudyard Kipling [em dois volumes] é o ambiente onde o Lobito vive as suas actividades.

• Para o Explorador, o imaginário desenvolve-se em torno da figura do próprio Explorador – aquele que vai mais longe, mais além, aquele que descobre.

• Para o Pioneiro, o imaginário desenvolve-se em torno da figura do próprio Pioneiro – aquele que desbrava, que se instala, que constrói, que desenvolve.

• Já os Caminheiros não possuem imaginário formal permanente, pois os Caminheiros, como jovens adultos, já perspectivam as suas ações em prática no terreno real, na vida do dia-a-dia.

Concomitantemente, cada Secção possui e vive uma mística própria, isto é uma proposta de enquadramento temático e de vivência espiritual que visa aprofundar a descoberta de Deus e a comunhão em Igreja. A Mística do Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas assenta num esquema de quatro etapas, com vista a uma formação humana e cristã integral, sólida e madura. Estas etapas são sequenciais – cada uma é trabalhada para uma Secção, ainda que de forma não estanque – e complementam-se [nenhuma vale por si mesma], na medida em que estão interligadas e adquirem o seu pleno sentido na sobreposição das partes. Desenrolam-se na lógica de um caminho a percorrer, constituindo um itinerário de crescimento individual e comunitário proposto a cada Escuteiro:
• O louvor ao Criador: o Lobito louva Deus-Criador, descobrindo-O no que o rodeia;
• A descoberta da Terra Prometida: o Explorador aceita a Aliança que o conduz à descoberta da Terra Prometida;• A Igreja em construção: o Pioneiro assume o seu papel na construção da Igreja de Cristo;
• A vida no Homem Novo: o Caminheiro vive cristãmente em todas as dimensões do seu ser.

No percurso sugerido, procura-se que o Escuteiro compreenda que a sua vida tem duas dimensões, uma sobrenatural e uma natural, e que ambas se relacionam intimamente: Cristo, Senhor da Vida, não se reduz à vivência espiritual e mística do Homem; Ele está presente na vida do dia-a-dia e ao longo de toda a existência humana. É, por isso, presença constante na vida de um Escuteiro. . Mística e Simbologia 24 Nesta perspectiva, o itinerário proposto está sempre centrado em Cristo, pois tem no Senhor o seu centro e fonte de irradiação de sentido.

Cada Secção tem, depois, o seu patrono próprio:

• Alcateia – São Francisco de Assis;
• Expedição – São Tiago Maior;
• Comunidade – São Pedro;
• Clã – São Paulo.

Adicionalmente, cada Secção recorre ainda a modelos de vida – figuras da Igreja Católica que, à semelhança do patrono, também encarnam os valores e ideais da mística e do imaginário da Secção e que exprimem a diversidade de caminhos e carismas possíveis para os viver – e a grandes figuras históricas – personalidades que na sua vida realizaram grandes feitos, associados ao imaginário da Secção, que marcaram a história da humanidade.

A Vida na Natureza é, desde a sua génese, um dos elementos mais marcadamente identificadores do método escutista enquanto proposta pedagógica. Foi com base na exploração da Natureza e na vivência em comunhão com a Natureza, aproveitando os recursos desta e os benefícios do ar livre, que Lord Baden-Powell of Gilwell deu os primeiros passos no desenvolvimento do Escutismo. Desde então, a Natureza constituiu sempre espaço e ambiente privilegiado para o desenvolvimento das atividades escutistas, permitindo às crianças e jovens o confronto com os seus próprios limites, o aproveitamento dos recursos naturais, a aprendizagem da vida com simplicidade, uma vivência saudável ao ar livre.

Sendo a Natureza – o campo, os cursos de água e o mar, estes últimos sobretudo no caso da vertente marítima do Escutismo – o espaço privilegiado para o desenvolvimento de atividades escutistas, uma adequada vivência nestes ambientes exige um conjunto de conhecimentos técnicos, de procedimentos de segurança e uma postura ética particulares, que a cada Escuteiro cumpre saber e exercer, na medida da sua idade e maturidade, no desempenho das suas atividades. Assim, aos elementos de cada Secção são disponibilizados materiais pedagógicos que permitem a aquisição de conhecimentos técnicos, éticos e de segurança – incluindo os específicos para a vertente marítima do Escutismo – possibilitando-lhes viver plenamente a atividade típica da sua Secção.

Ao Dirigente compete criar oportunidades educativas, em campo, para que estas técnicas possam ser aplicadas e desenvolvidas. Foi assim ao longo de 100 anos e continua a ser assim, na Natureza – em atividades típicas como construções em campo, jogos de pista, acampamentos, raids, hikes, etc. – que se fez e faz Escutismo, preservando e retirando o máximo proveito pedagógico de uma das mais interessantes especificidades do método escutista.

 


O Escutismo tem como objetivo ajudar as crianças e os jovens a desenvolver integralmente as suas capacidades, para que se tornem membros ativos e responsáveis na sua comunidade. Desenvolvimento esse que resulte progressivamente em maior autonomia da criança ou do jovem.
Para tal, esta não pode apenas ouvir dizer "como é que se deve fazer" ou ver os outros a atuar. Para aprender é necessário experimentar, sentir, estar nas situações. Isto porque a aprendizagem é um processo dinâmico e ativo.

O jogo – num sentido amplo – é, pois, elemento essencial do Escutismo. Nele, a criança ou o jovem encontram desafios e obstáculos, desenvolvem capacidades e solidariedades, aprendem e crescem com os outros e uns com os outros. As atividades escutistas são, assim, iniciativas e acções, planeadas e desenvolvidas pelas crianças e jovens, com acompanhamento adulto, que consubstanciam o jogo escutista e respondem às suas aspirações de descoberta e realização, contemplando uma sequência de oportunidades educativas diversificadas nas fases da escolha, planeamento, concretização e avaliação.

Agente ativo na escolha dos projetos que quer realizar – motivado pelas suas escolhas, pelos pares, pela saudável competição – a criança ou o jovem envolve-se na sua realização, o que significa que vai aprender pela ação, percebendo a utilidade do que aprendeu [o que o motiva para aprender mais], desenvolver as suas capacidades e descobrir habilidades e gostos que, de outro modo, provavelmente não descobriria.

Elemento estruturante do aprender fazendo é a metodologia do projeto, a qual permite às crianças e aos jovens, de uma forma participada e em ambiente seguro, transformar sonhos e aspirações em actividades, vivências e experiências enriquecedoras, que contribuem para o seu desenvolvimento pessoal.
Em geral, um projecto é um conjunto determinado de acções inter-relacionadas que se planeiam e implementam com vista a atingir um objetivo último num determinado prazo. Neste contexto, um projecto escutista caracteriza-se por:

• ser um desafio coletivo;
• ter uma meta clara e um horizonte temporal;
• envolver quatro fases principais;
• estar baseado no uso do método escutista;
• incorporar uma variedade de oportunidades educativas;
• ter em conta interesses, talentos, capacidades e necessidades distintas;
• procurar que cada criança e cada jovem esteja comprometido no atingir do objectivo comum
através do seu esforço pessoal.

Em face disto, o valor educativo da metodologia do projeto reside em:
• desenvolver a capacidade de dialogar e trabalhar em cooperação com outros;
• contribuir para garantir uma genuína participação dos jovens nas decisões que lhes dizem respeito e dar-lhes esse “treino”;
• desenvolver a responsabilidade;
• desenvolver o sentido de “propósito” [efeito motivador];
• permitir a descoberta de talentos ou a sua busca;
• permitir treinar competências de diversa ordem;
• criar hábitos de funcionamento “em projeto” [úteis para a vida contemporânea].

As designações do projeto, nas diversas Secções, são as seguintes:


Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações do projeto em cada uma das Secções tomam a forma constante da tabela abaixo.

A metodologia do projeto estrutura-se segundo as seguintes fases, sendo a participação nas mesmas, pelas crianças ou jovens, função da respetiva idade e maturidade.


• 1.ª Fase: Idealização e Escolha
Motivação / Conceção / Apresentação / Escolha

• 2.ª Fase: Preparação
Enriquecimento / Organização / Planeamento

• 3.ª Fase: Realização
Concretização / Vivência

• 4.ª Fase: Avaliação
Avaliação / Celebração


O Sistema de Patrulhas, tal como idealizado por Lord Baden-Powell of Gilwell, pelo qual as crianças e jovens de um grupo se organizam em pequenos grupo com uma identidade e vida própria, uma liderança e organização interna, constitui um dos elementos mais marcantes e distintivos do Escutismo enquanto pedagogia educativa.

A patrulha, ou outra denominação que o pequeno grupo assuma, é o local onde as crianças e jovens, sob a liderança de um deles, estabelecem relações e são chamados a assumir diversas tarefas para a promoção do bem-comum, incentivando-se, assim, a co-responsabilidade que potencia a aprendizagem da democracia e da solidariedade, bem como a compreensão do papel do líder e da importância de uma boa e equilibrada liderança para o desenvolvimento do grupo.

Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações do pequeno grupo e do respetivo líder, em cada uma das Secções tomam a forma constante da tabela abaixo.

É o Sistema de Patrulhas que faz do Escutismo um verdadeiro esforço de cooperação, um método de educação natural e não formal, onde cada jovem, com as suas particularidades e curiosidades muito pessoais, cresce com os outros e entre eles. Em que os pares se reconhecem pela vivência conjunta e pela prática da Lei do Escuta.

A patrulha é uma “micro-sociedade”, onde cada escuteiro desempenha um papel. Ao assumir a responsabilidade de determinadas tarefas no seio da patrulha, o escuteiro torna-se responsável por si mesmo e... cresce! O Sistema de Patrulhas proporciona ainda a perda da perspetiva egocêntrica, e permite às crianças e jovens a criação de hábitos de divisão de tarefas e bens, unindo os jovens num ideal comum, repleto de camaradagem, cumplicidade e amizade.

Relacionado com o Sistema de Patrulhas, e com a forma como este se articula na Unidade permitindo a vivência do método do projeto, é o sistema de reuniões e conselhos que dão suporte a toda a vivência das patrulhas e da Unidade. O Escutismo vive primordialmente ao ar livre, na Natureza, mas não prescinde da vivência em sede, onde cada bando, patrulha, equipa e tribo tem o seu espaço próprio, o seu canto, onde guarda o seu material, onde cultiva e preserva a identidade e memória, e onde reúne.

O espaço de reunião, espaço próprio e reservado do bando, patrulha, equipa ou tribo, é um momento importante do crescimento escutista, e assim deve ser valorizado, pois permite impulsionar o sentido da participação em comum, baseada no diálogo e na cooperação, da organização e planeamento, da visão crítica e avaliação, da auto-gestão com responsabilidade.

Elemento crucial da vida das Unidades é o Conselho de Guias, órgão permanente que, sob a coordenação do Chefe de Unidade, orienta a vida da Unidade.
O papel do Guia é assim fundamental, não apenas na liderança e coordenação do bando, patrulha, equipa ou tribo, como também na representação deste junto da Unidade, através do Conselho de Guias.


Sendo o auto-desenvolvimento de cada criança e jovem a finalidade do Escutismo, a progressão pessoal, que se concretiza nos objetivos educativos, constitui a métrica proposta para cada etapa etária.

O Sistema de Progresso, que procura envolver – de forma consciente – cada criança e jovem no seu próprio desenvolvimento, é a principal ferramenta de suporte à progressão pessoal, assentando numa perspetiva personalista, considerando as características individuais de cada um, e baseando-se num conjunto de objetivos educativos.

O Sistema de Progresso permite, pois, atingir os objectivos educativos da Secção [adquirir conhecimentos, competências e atitudes], sendo um fator de motivação para a criança ou jovem [ser e fazer melhor], sendo, portanto, um guia no seu percurso de desenvolvimento, oportunidade de aprofundamento de habilidades próprias e de valorização pessoal ou até mesmo de descoberta vocacional. O Sistema de Progresso impulsiona o jovem a adquirir hábitos de análise e planeamento da sua vida.

A Estrutura do Sistema de Progresso

A passagem das crianças e dos jovens por uma Secção é distribuída em duas grandes fases – a integração e a vivência. Durante a integração, as crianças e os jovens realizam a sua adesão e são sujeitos a um diagnóstico inicial; durante a vivência, evoluem nas etapas de progresso.
Todas as crianças e jovens são diferentes em diversos aspectos [idade, contextos familiares e escolares, níveis de desenvolvimento, aptidões e dificuldades], pelo que poderão estar em estádios de desenvolvimento pessoal diferentes, não obstante a similitude de idades.

Assim, logo ao chegar a uma Secção, a criança ou jovem é sujeito a um diagnóstico inicial, pelo qual se afere o respetivo grau de maturidade e, em consonância, se irá definir o respetivo posicionamento, após concretizada a adesão, em termos de etapa de progresso [ou seja, que objetivos educativos já cumpre e que equivalência será atribuída em termos de etapa de progresso].

A responsabilidade do diagnóstico inicial é do Chefe de Unidade, o qual o deve realizar, conforme a idade e maturidade da criança ou jovem, a partir de uma conversa informal com o próprio, com os respetivos pais, com a colaboração do respetivo Guia, bem como através da observação do
aspirante ou noviço durante as primeiras atividades, podendo-se, ainda, recorrer a dinâmicas e
jogos específicos para o efeito.

Este procedimento é crucial para a posterior escolha dos trilhos [objectivos, no caso do Clã], uma vez que esta escolha deve ter em consideração as necessidades de desenvolvimento da criança ou jovem. O aspirante ou noviço deverá ser incentivado a escolher, anualmente, um trilho por área de desenvolvimento pessoal [dois a três objetivos por área de desenvolvimento pessoal, no caso do Clã] onde as suas necessidades de desenvolvimento sejam mais prementes, e a concretizá-los em ações concretas.

Assim, no reconhecimento do progresso pessoal, o posicionamento do aspirante ou noviço, após a fase da adesão será:
• até 1 trilho de cada área de desenvolvimento alcançado – 1.ª etapa;
• entre 1 e 2 trilhos de cada área de desenvolvimento alcançados – 2.ª etapa;
• entre 2 e 3 trilhos de cada área de desenvolvimento alcançados – 3.ª etapa.

Assim, o cumprimento de uma etapa pressupõe sempre o cumprimento de, pelo menos, [mais] um trilho de cada área de desenvolvimento pessoal [exceto na última etapa, que termina com o cumprimento pleno de todos os trilhos].

No caso específico dos Caminheiros, em que o progresso pessoal é aferido já pelos objetivos e não por trilhos, o posicionamento do aspirante ou noviço, no reconhecimento do progresso pessoal, após a fase da adesão será:
• menos de 2 objetivos de cada área de desenvolvimento alcançado – 1.ª etapa [Comunidade];
• entre 2 a 4 objetivos de cada área de desenvolvimento alcançados – 2.ª etapa [Serviço];
• mais de 4 objetivos de cada área de desenvolvimento alcançados – 3.ª etapa [Partida].

Assim, o cumprimento de uma etapa pressupõe sempre o cumprimento de, pelo menos, [mais] dois objetivos de cada área de desenvolvimento pessoal [exceto na última etapa, que termina com o cumprimento pleno de todos os objetivos].

Concomitantemente, cada Caminheiro é, desde a integração na Secção, convidado a elaborar, e a manter actualizado, o seu Projeto Pessoal de Vida – PPV.

O Projeto Pessoal de Vida é uma ferramenta pedagógica que auxilia o Caminheiro na gestão do seu auto-desenvolvimento pessoal, a qual o convida a refletir e fazer uma análise cuidada de tudo aquilo que constitui a sua vida (a família, os amigos, a escola, o emprego, a relação com Deus, o namoro, a relação consigo próprio e com os outros), a traçar de objetivos para a sua vida (pequenas metas, projetos a longo prazo e grandes sonhos) e a assumir expressamente um compromisso pessoal com o caminho traçado.

Assim, o Caminheiro deve articular a escolha dos seus objetivos educativos com a elaboração do seu Projeto Pessoal de Vida o Caminheiro e este deve incluir ações concretas que concretizem esses objetivos. Os objetivos educativos serão assim trabalhados pelos próprios Caminheiros.

O Projeto Pessoal de Vida conterá uma parte aberta, em que o Caminheiro expressa as suas escolhas. Essa parte é partilhada com a tribo e com o Chefe de Clã. Será, também, com base nessa partilha que a Carta de Clã – Projeto Comunitário de Vida – deve ser construída. O Chefe de Clã terá assim acesso às escolhas que o Caminheiro fez para o poder apoiar e acompanhar no seu progresso.

O Projeto Pessoal de Vida conterá igualmente uma parte fechada, partilhável ou não, em que o Caminheiro expressa objetivos mais pessoais e íntimos.


Não obstante o papel primordial da relação entre pares como base da pedagogia educativa escutista, a presença do adulto – e, portanto, a relação educativa que se estabelece entre ele e a criança ou jovem – constitui elemento essencial do método escutista. No Escutismo, o adulto é o garante da educação integral das crianças e jovens da sua Unidade, sendo a sua intervenção, por princípio, subsidiária; ou seja, a ação pedagógica – para além de voltada para a criança ou jovem – deve estar centrada na própria criança ou jovem, chamado a ser, pela vivência do jogo escutista, protagonista do seu auto desenvolvimento.

O adulto, na medida da idade e maturidade dos jovens, é chamado a recuar na intervenção, competindo-lhe, no entanto, sempre assegurar a existência de um ambiente seguro e propício a uma aprendizagem do tipo aprender-fazendo, bem como da conformidade da vida da Unidade com os ideais e valores com que o Escutismo se identifica e se propõe promover.

A finalidade do Escutismo é que a criança ou jovem se desenvolva em autonomia, logo o papel do adulto não pode ser senão o da promoção dessa autonomia, sendo que esta relação entre a autonomia da criança ou jovem e o envolvimento, ou a intervenção, do adulto deve perspetivar-se de uma forma dinâmica, progressivamente decrescente e qualitativamente diferenciada, ao longo do percurso educativo da criança ou jovem através das Secções.

Dependendo da Secção, há maior ou menor necessidade de “espaço”, mais ou menos graus de liberdade, formas diferentes de companheirismo e de partilha de cumplicidades. Mas em todas as Secções é fundamental a permanência e a sensação de presença do adulto, que transmite segurança, que “está lá” sempre que for preciso e para o que for preciso, que está com as crianças ou jovens e com eles caminha nos bons [incentivando] e nos maus [orientando] momentos.

No Escutismo, cumpre ao adulto saber misturar-se com as crianças e os jovens, sem nunca se deixar confundir com os mesmos, equilíbrio que é a chave de ouro da relação educativa escutista entre as crianças e jovens e os adultos. Por outro lado, ao adulto cumpre garantir que em todas as iniciativas e atividades são cumpridas as normas de segurança legais ou em vigor na Associação, bem como excluídos comportamentos e opções que acarretam riscos irrazoáveis e/ou não devidamente acautelados.

Em conclusão, o papel do adulto na relação educativa escutista é o de garante da presença e regular funcionamento dos demais elementos constituintes do método escutista, o garante de enquadramento e ambiente para o jogo escutista.

Ultima atualização 09.09.2016 Visualizações 2222
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